4 Regras para a Atracação Perfeita


Alou Marujos!

Quem já velejou com a gente sabe que nosso mantra é “Velejar é fácil e requer prática”. Mas algumas coisas valem a pena uma explicação e uma teoria de leve para ajudar e tornar as coisas mais simples na hora do vamos-ver. Por isso, investimos um pouquinho do nosso Diário de Bordo com um tema dos mais importantes: atracação! Calma, não mude de canal ainda! Prometemos que será prático, ou melhor, objetivo. 😉

(Não se perca! Colocamos um glossário no fim e vale dar uma olhada no post anterior com o B-A-Bá da vela)

 

Regra Número 1: sempre que possível, atraque por Sotavento.

Como tudo no veleiro, você sempre tem que saber de onde o vento está vindo e para atracar não é diferente: use o lado a Sotavento do Píer (ou rampa, cais etc). Se você não lembra, sotavento é o lado pelo qual o vento “sai”, ou seja, dê prioridade para atracar de contra-vento com o píer (considere também a corrente, se estiver muito forte). Lembre-se de aproar para o vento no último momento para realmente parar o barco (cuidado para não cambar!). A razão é simples: indo contra o vento, o barco estará diminuindo a velocidade e por isso é como se você estivesse freando para estacionar. Não entendeu? A gente desenha! 😉

Atracando 101

 

Regra Número 2: “…e eu, faço o quê”?

Bem antes de começar as manobras, quando pensar em atracar, invista um tempo explicando e tirando todas as dúvidas da tripulação e o que cada um irá fazer. Mesmo quem não vai fazer nada, é importante saber onde ficar e o que será feito (ajuda muito!). Dividir tarefas é fundamental. O timoneiro e o proeiro, por exemplo, têm que estar seguros sobre qual será a rota de aproximação, quais manobras serão feitas e em quais momentos. Explique a quem vai lançar os cabos de atracação e qual o jeito certo de fazer para não ter que lançar e recolher, pode não haver tempo para isso.

Se tiver motor de apoio, maravilha, se for na vela, é preciso entender se com as velas içadas, mesmo panejando, vocês chegam na velocidade necessária ou se é preciso reduzir pano. Para isso, a tripulação tem que conferir tudo. O que leva à próxima regra.

 

Regra Número 3: preparativos, faça antes!

Os cabos de atracação estão todos prontos (cabo de proa e de popa no mínimo)? Escotas e adriças desimpedidas? Opa! Se você precisar descer a Grande e a adriça estiver toda embolada? Coloque as defensas nas alturas e posições corretas. Se possível, tenha uma defensa a mão para emergência. Tem alguém em terra que poderá ajudar a pegar os cabos?* Você tem espaço suficiente para seguir avante, atracar ou mesmo abortar a atracação se precisar? Se não, cancele e retorne.

Na dúvida, não se precipite: se acha que está rápido demais, é melhor fazer o retorno e tentar novamente. Não tenha vergonha: faça o retorno quantas vezes for necessário porque você não quer acertar o píer a toda velocidade. Se os cabos, defensas e velas não estão a postos, diminua a velocidade, alongue a rota ou faça o retorno para ganhar tempo até que a tripulação esteja pronta.

* Se precisar que alguém salte para o píer, tenha certeza de explicar bastante como fazer certo. A última coisa que você quer é alguém na água nessa hora.

 

Regra Número 4: a velocidade certa é a chave do sucesso.

Parece complicado, mas não é. Se você estiver muito rápido, não conseguirá parar o barco, quem estiver em terra não conseguirá segurar os cabos e vai ser uma confusão. Torça para ninguém estar filmando e você não parar no youtube. Aliás, colocamos alguns vídeos de erros e acertos no fim do post.

Se você estiver muito devagar, o leme perde a funcionalidade e você vai acabar à deriva ou alguma manobra inesperada pode jogar você em cima de outro barco, por exemplo. Você pode até parar muito longe e não conseguir lançar o cabo para quem estiver em terra.

Mas então, qual é a velocidade certa? É a mínima possível para você conseguir ainda manter o comando do leme, mas sem ser rápido demais para atropelar o píer. Você pode, no momento da última aproximação, aproar para o vento e o barco seguirá no movimento até parar justinho, mas essa sensibilidade, meu caro, você só pega na prática. Então, esqueça o medo e #VemProMar!

 

Este post foi feito em colaboração com o Davi Ferreira e Leandro Barbosa, amigos, clientes e consultores! 😀

 

Vídeos

Mandou bem: Superyacht atracando de popa.

Mandou mal rude: #Fail! Homem ao Mar!

Mandou bem: Esse sabe – 1

Mandou bem: Esse sabe também – 2

 

“Perdido na Tradução”

Aproar: apontar a proa (frente do barco) para o rumo desejado. Ex: Aproar para a Linha do Vento: colocar a proa na direção de que o vento vem, ou seja, “de cara” pro vento para parar o barco mesmo. Dependendo da velocidade que você estava velejando, há ainda bastante inércia, tome cuidado para não atropelar o píer!

Cambar: manobra de mudar o bordo (lado do barco) com o vento pela proa. Ou seja, orçando (colocando o vento cada vez mais de proa) até que as velas mudarão de lado. Isso é cambar. Você perde bastante velocidade nessa manobra, porque estará indo contra o vento, por isso vale a pena calcular bem os espaços antes de cambar. Sempre – Sempre – Sempre avise a sua tripulação antes das manobras de mudança de bordo (cambada e jibe).

Timoneiro: a pessoa que está no leme e dando a direção no barco.

Proeiro: a pessoa que “trabalha” na proa do barco. No caso da atracação, normalmente faz parte do trabalho do proeiro lançar os cabos para o marinheiro que está no pier ou mesmo pular para o píer com os cabos para atracar.

Cabos: são as cordas, mas no barco, a gente chama de cabo – sempre.

Cabos de Atracação: são vários, mas os principais são os (lançantes) de proa e de popa. Ou seja, cabos que prendem o barco ao píer pela proa (frente) e pela popa (trás). Na hora de atracar, se preocupe com a popa e a proa (nessa ordem, normalmente), depois com o barco seguro e parado, você pode usar ainda os Springers e o Través.

Cabos Atracação

Panejando: as velas panejam quando não estão cheias com o vento por que não estão reguladas, ou porque você quer perder velocidade propositalmente. Panejar é como um pano (uma bandeira, por exemplo) ao vento, ou seja, as velas ficam batendo soltas e perdem o efeito.

Escotas: os cabos que regulam as velas. Escota da Buja/ Genoa, regula a Buja/ Genoa. Escota da Grande, regula a Vela Grande. Escota do Balão, regula a Vela Balão.

Adriças: os cabos que fazem o movimento vertical das velas, ou seja, sobem pelo mastro. Adriça da Gande é o cabo que sobe e segura a Vela Grande no alto (top) do mastro e que você também usa para descer a vela. Por isso é importante ela estar preparada na hora de atracar, porque você pode precisar descer a Grande para perder velocidade.

Grande: é a Vela Grande, Mestra, a Grande, o Grande. É a vela que fica presa pela testa (frente da vela) ao mastro e segue para a popa do barco.

Buja/ Genoa: Buja é a vela da frente, triangular, que fica com a testa presa no Stay de Proa (cabo de aço que sustenta o mastro pela proa do barco). Genoa é uma buja maior que normalmente chega a passar dos Stays (cabos de aço que sustentam o mastro lateralmente pelos bordos do barco).

Defensas: sabe os pneus que ficam amarrados nos cascos dos navios para evitar que eles batam nos píers? Então, é isso só que mais apropriadas. A imagem é auto-explicativa.

Defensas (Fenders) 01

 

Mais alguma palavra do “nautiquês” que você queira saber? Manda pra gente e a gente explica! Sugestões de Posts para o Diário de Bordo também são super bem vindas! contato@academianautica.esp.br 😀

 

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