Lançar Âncora! ou melhor, Joga o Ferro!


Alou Marujada favorita! 🙂

Estamos de volta com mais uma postagem Prática para quem está navegando por aí e ainda tem dúvidas de como seguir essa vida maravilhosa no mar. O que percebemos é que você que está seguindo a gente – e velejando também – já está safo para navegar, se localizar, já entende das sinalizações, da carta náutica e de uma pancada de coisas, até mesmo como navegar com ondas grandes e se manter seguro. No entanto, se você percebeu bem, a gente ainda não explicou como ancorar.

Imagina só: você navegou por costas exuberantes, chegou naquela praia maravilhosa e quer descansar e… mas calma aí! como faz para ancorar? minha âncora é adequada? e se o mar engrossar? eu posso dormir tranquilo?

Pois é, falha nossa. A gente tinha prometido esta postagem antes mesmo da serie de Arrais Amador e Mestre Amador, mas você sabe como é, a vida foi levando, a gente ficou na deriva dos pedidos sobre as habilitações e quando vimos, já era 2019 e nada de post sobre âncoras.

Então, sem mais delongas, segue aí o nosso guia prático sobre Âncoragem, ou pros mais chegados, o Ferro.

Ah, antes, como usual, o disclaimer sobre a postagem: a gente tenta sempre colocar as coisas de forma fácil e prática. A ideia não é criar uma bíblia de navegação com as verdades absolutas da náutica. Jamais! Estamos convencidos de que a náutica tem conhecimentos básicos, preliminares, que são aperfeiçoados com prática e a experiência de cada um. Não existe um 100% certo quando se fala de mar. Cada dia é uma aventura diferente e por isso, os conhecimentos são ilimitados e o aprendizado, contínuo. Sabendo disso, então, aqui está uma coletânia de experiências das nossas navegadas que esperamos sejam úties para você realizar o seu sonho de velejar.

Se você discorda, ou acha que falamos besteira, ou quer mais detalhes, aprofundar o assunto, conversa com a gente! Envie um e-mail, mensagem, sinal de fumaça ou código morse (opa! tá aí outro asusnto pro blog!). A gente vai amar ouvir sua opinião, sua crítica, sugestão, trocar experiências e, por que não, revisar e colocar aqui também. Quem veleja sabe: o resultado é sempre melhor quando é feito em conjunto. 😉

Aproveite a leitura!

 

Âncorar é mais fácil do que se imagina

A primeira coisa é desmistificar o assunto, como a gente sempre tem feito por aqui. Ancorar é uma das coisas mais fáceis de se fazer e como tudo na náutica, é meio intuitivo e se você seguir o mesmo procedimento sempre, fica fácil de lembrar e entender. Ancorar é também super importante, obviamente. É quando você pode descansar por mais horas durante uma travessia longa, fazer reparos, ou mesmo, para os mais ousados, pernoitar por dias, semanas e, por que não, meses. Pois é, tem gente que vive na âncora.

O processo é super simples: basicamente você escolhe um lugar, e deixa a âncora cair até o fundo. Pronto. É isso. Fim.

Rs! Agora vamos melhorar essa coisa aí. 🙂

O macete da boa ancoragem é saber escolher o lugar, fazer a âncora agarrar no fundo e saber quanto de “escopo” (há quem chame de amarra, mas eu prefiro escopo) que é o tamanho do cabo/corrente que você vai deixar correr junto com a sua âncora. Se liga que o tamanho do escopo é mais importante do que a âncora em si. Imagina só: você tem um ferro de 15kg, mas solta 50 metros de corrente. O que você acha que pesa mais? Meio fácil de perceber que a corrente, o escopo, faz um papel importante na qualidade do fundeio. Então se liga que a gente vai destrinchar isso aí, tim-tim-por-tim-tim.

Antes de começarmos a esmiuçar essa coisa de ancoragem, ou como se fala por aí, Fundear – prender ao fundo – vamos explicar alguns conceitos e tirar alguns mitos sobre essa coisa toda.

Tipos de Âncora

Cara, existe uma infinidade de tipos de âncoras, essa é a verdade. Cada uma tem suas vantagens e desvantagens e por isso não dá para dizer que existe um melhor tipo. Existe aquele que você prefere e que é mais adequado para a sua velejada e seu barco. Mas a verdade verdadeira é que em 90% dos casos a gente acaba usando a âncora que está no barco que comprou. Primeiro, porque os fabricantes já tem uma larga experiência e colocam, normalmente, o tamanho, modelo e peso da âncora já adequado ao barco e ao tipo de velejada para qual o barco foi fabricado. Segundo, é que se você, como a gente, faz muito charter – aluguel de barcos por esse mundo a fora – você não vai escolher o tipo de âncora. Você vai pegar o barco que alugou e pronto, vai ter que lidar com a âncora que está ali.

Por isso, a gente aqui considera que o melhor é não se preocupar muito com o Tipo de Âncora, mas sim com a Qualidade da sua Ancoragem e para isso, a gente está fazendo esse post. Seja uma super âncora 3x mais pesada do que você precisa, ou seja uma garatéia qualquer (dá um google aí e vc vai ver que tem garatéia feita de vergalhão – e que funciona!), se você souber a técnica, você vai estar seguro e entender até que ponto seu fundeio aguenta.

Então, voltamos a programação normal: O tipo de âncora mais comum é esse aí abaixo.

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Esse tipo de âncora pessoal chama de “Arado” (tem gente que chama de Delta, mas isso é só a marca, essa aí da foto é uma MAX de aço inox – guarda essa informação! Aço Inox). Existe ainda uma variação dela que ao invés do braço ser fixo, ele é articulado e daí que só para complicar, tem outro nome: CQR. A “Arado” ou Plough/Plow é de longe a que mais existe nos veleiros de fábrica. Por quê? Bem, porque é o tipo mais versátil em relação o tipo de fundo e tem uma boa capacidade de agarrar e de auto-unhar. Calma, vamos falar disso, mas antes, uma preocupação genuína:

Tipos de Fundo

Se você estava ligado no post sobre Cartas Náuticas vai ver que sempre tem a profundidade em números e no campo das observações vai dizer se é profundidade em metros ou pés. Além disso, quase sempre tem umas letrinhas sutis no mar. Essas letrinhas são o tipo de fundo que você vai encontrar naquele lugar. Mesmo onde não é ancoradouro, vocÊ vai ver isso porque, vai que numa emergência é preciso soltar o ferro. Então, segue:

S: Sand/Areia

M: Mud/Lama

Cy/Cl: Clay/Argila

G: Gravel/Cascalho

Co: Coral

Cb: Cobbles/Pedrinhas (5-25cm)

Sn: Shingle/Pedrinhas (<10cm)

P: Pebbles/Seixo (<5cm)

St: Stones/Pedra

Rk: Rock/Rocha

Ch: Chalk/Calcário

Sh: Shells/Conchas

Wd: Weed/Algas

Grs: Grass/Grama

Existem uma porção de outros tipos. Cada país, cada carta náutica, vai trazer suas especificidades e algumas trazem até a “dureza” do fundo, se é macio, duro, se é composto por mais de 1 camada etc. Na dúvida, recorra ao Almanaque (que vale a pena ter um a bordo).

O que acontece aqui é que cada tipo de fundo vai te dar mais capacidade da âncora “agarrar” (ou “unhar”) do que outros. Por exemplo, Argila tende a ser um bom fundeio, como areia também, mas o Seixo, nem tanto. “Mas Daniel, e daí?” Bem, faz parte do bom fundeio saber o tipo de fundo para saber o tamanho do risco que você está correndo se sua âncora soltar (ou se ela não soltar, como é o caso de fundos de pedra em que é super comum ficar com a âncora agarrada de um jeito que só mergulhando mesmo para soltar. E aí vale uma lembrança: cada tipo de âncora tem uma capacidade diferente de se unhar sozinha (“reset”). Vamos falar disso, mas é importante saber que isso também está ligado ao tipo de fundo. Pensa comigo: se sua âncora solta na lama, é bem provável que ela consiga cavar de novo e agarrar. Mas e se ela soltar num fundo de coral? Será que vai agarrar de novo?

E agora vai uma recomendação: Evite Ancorar em Fundos de Corais e Grama ou Algas. Primeiro porque não é seguro já que os corais são tão duros quanto pedra, sua âncora não vai unhar direito. Segundo porque é um vacilo ambiental da maior escala! Corais são seres vivos e parte fundamental do equilíbrio de vida marinha. Você, como navegador gente fina que é, vai querer ancorar e dar um mergulho para ver os peixes, estrelas do mar, golfinhos, tartarugas e tal. Tudo isso vive em função dos corais. Se você larga 30Kg de aço em cima deles… bem, você entendeu. 🙂

Sobre âncorar na grama ou algas, a coisa é um pouco mais séria do que só sua consciência e educação ambiental, é lei. Pois é. Algas e Grama servem de alimento para tartarugas marinhas e por isso alguns países protegem essas áreas de vegetação para as tartarugas se alimentarem. E não pense que é brincadeira, eu mesmo já vi um iate ser abordado e multado por ancorar sobre a grama. Então, seja legal e respeite os vizinhos do mar. 😉

O que você precisa sacar sobre os tipos de fundo é o tanto que sua âncora vai unhar e o tanto de resistência que o solo vai dar para que ela mantenha unhada. Só isso. Mas se não tiver opção, o jeito então é confiar no escopo. Então:

Escopo ou Amarra

Como falamos antes, escopo, ou Amarra, é o tamanho de cabo ou corrente que você coloca dentro dágua junto com a sua âncora. Aí, cabem algumas observações legais.

  1. Tipo de Amarra
    1. Seu barco pode estar equipado com amarra de Corrente, só, ou seja, 20, 30, 50m só de corrente, presas diretamente na âncora – e ao barco. Cara, sério, SEMPRE verifique se a outra ponta está presa no barco. É bastante comum não estar e se você soltar a corrente toda, ela vai pro fundo do mar… Então, SEMPRE verifique se a sua amarra está presa na Ancora E no Barco. SEM-PRE.\
      1. Historinha para ilustrar o desespero de não verificar se a amarra está presa no barco. Estavamos navegando pela Croácia no verão. 50 barcos ancorados numa baía maravilhosa. Chegamos, escolhemos o lugar e eu, no comando, já tinha vistoriado tudo, achei que estava safo e apertei o controle da âncora lá do cockpit mesmo (um luxo ter o controle da âncora junto ao leme…). Pois é, acontece que o freio da catraca da âncora (winch) estava solto e a âncora começou a cair livre, com corrente e tudo. Se você já passou por isso, sabe o tamanho do barulho que é e a velocidade que uma ancora de 30kg puxa uma corrente para o fundo. Imagina a cena: uma corrente de 50m passando livre e desempedida, super rapida, pelo winch e eu, lá no atrás no barco pensando no que fazer. Não tem muito, na verdade o que fazer a não ser tentar apertar o freio. Então, fui eu rapidinho lá na proa, abri o compartimento da âncora vendo minha corrente chegar ao fim enquanto procurava a manicaca para apertar o freio. Por sorte/azar/desleixo, havia um nó na corrente. Pois é, um nó. Que acabou bloqueando a saída do winch e impedindo que os últimos 2m de corrente caíssem dentro dágua. Pura sorte porque eu jamais conseguiria mergulhar 20m de profundidade para pegar essa âncora de volta. Note bem que não foi porque eu escolhi soltar a corrente toda que eu quase perdi a âncora, foi por uma falha mecânica (depois entendi que o freio estava ruim) que quase perdi 500 Euros de corrente e âncora e ainda uma maravilhosa tarde ancorado numa baía perfeita. Deu tudo certo, por sorte, mas poderia ter dado muita coisa errada. Então, marujo amigo, SEMPRE verifique se sua amarra esta presa ao barco. 🙂
    2. Ou pode estar equipado só com Cabo. Nesse caso, existe um tipo de cabo mais recomendado, que serve para absorver os impactos da amarra no casco e para ser bem pesado (guarda essa informação).
    3. E pode ainda ser uma Amarra Mista, com corrente presa na âncora e mais cabo preso na corrente.

“Pô, Daniel, você falou que ia descomplicar a parada e agora tá só jogando mais lenha na fogueira!” Calma, maruj@! Eu complico, mas explico! 😀

Por que escolher um ou outro tipo de Amarra? Bem, isso tem a ver com o peso e o ângulo da amarra em relação a âncora. Segue o desenho para explicar melhor:

 

 

 

Pra deixar a coisa bem clara, então, percebeu pelo desenho que a ancora enterra melhor quando a força é paralela ao fundo? Dá uma olhada de novo na foto da âncora, tipo arado, e você vai entender que puxar a ancora para cima, como no caso do escopo curto, você vai soltar a parte que prende a âncora no fundo. Na mesma lógica, se você puxar paralelo ao fundo, rente ao fundo, você vai encravar mais ela no chão e daí, uma ancoragem melhor.

“Mas então, é só ter uma amarra super longa que eu consigo fundear bem.” Meio Certo. A amarra longa vai sim ter impacto no ângulo da força na sua âncora, mas o peso da amarra também é importante para fazer esse ângulo ser o mais próximo do fundo possível e por isso que é bom ter uma amarra de corrente, porque o aço, pesado, vai ajudar a puxar a amarra para rente ao fundo e daí encravar a âncora.

Explicado, entendido? Não? De novo então:

Então, daqui pra frente, quando você for ancorar, já sabe, use uma amarra longa de corrente que a sua vida vai ser mais fácil. Ah! Importante! Você vai ouvir muito por aí a regra do x4: “sua amarra tem que ser 4 vezes a profundidade”. Isso é legal para te dar uma ideia de quanta amarra você tem que soltar, mas a gente aqui prefere mesmo é soltar a amarra toda. Se eu escolhi bem o lugar que estou ancorando, porque usar 20m se eu posso usar 40m? “Ah, é corrente demais…”, Não existe essa de corrente demais, existe corrente de menos, mas demais, nunca vi. Até porque, quanto mais corrente dentro dágua, mais peso prendendo a âncora ao fundo, mas corrente para girar arrastando pelo fundo e ajudar sua ancora a unhar novamente, mais peso para mover antes de mover sua âncora. Então, sem medo, solta essa amarra! 😀

Ainda sobre esse lance de comprimento de amarra, vale colocar aqui que existe um estudo (que está no livro do Chapman – um guia super famoso) que diz que escopos/ amarras maiores do que 15x o fundo já não surtem tanto efeito assim para garantir a amarra. Bem, pode ser que não ajude muito, mas certamente não atrapalha, então, a gente aqui costuma soltar tudo que tem especialmente se o vento vai girar, vai ficar mais forte ou o mar crescer porque, como já falamos, quanto mais amarra dentro d’água, menor o estresse na âncora e melhores as chances dela permanecer unhada ao fundo ou se unhar novamente caso solte.

Só existe 1 situação em que uma amarra muito longa atrapalha, e a gente vai falar disso agora:

Escolhendo Onde Soltar o Ferro

Então a gente velejou bastante, chegou na praia perfeita e que jogar o ferro. Onde?

Você já tem uma dica: onde o Tipo de Fundo for melhor para unhar. Outra dica é o Barlavento e Sotavento. Se eu ancorar a sotavento de outros barcos, se minha âncora soltar, eu não vou acertar ninguém… Então, Sotavento é melhor. Idem para escolher a Baía ou Praia para ancorar: é melhor estar a Sotavento da Ilha, já que se sua âncora soltar você vai ser arrastado para o mar e não para as pedras. Uma preocupação comum é a maré: se vai subir, muito, pode ser que sua amarra seja curta e fique menor do que a regra dos x4. Mas não é o seu caso, porque, como a gente, você larga o ferro e a amarra toda.

Então a preocupação é o giro. “Giro? Tá maluco…” Pois é, seu barco vai girar com o vento e o mar. Pode ser que gire só um pouco, pode ser que gire 180 graus. Vai depender do vento e do mar. É super importante você olhar e estar garantido que a previsão de clima vai estar adequada para a sua ancoragem, se não, você pode acordar com os gritos dos barcos vizinhos te avisando que sua âncora arrastou, ou pior ainda, se ver muito próxima às pedras, praia ou até mesmo já encalhado. Você não quer passar por isso, então, verifique mais de uma vez a previsão do clima para saber direitinho como seu barco vai girar durante a ancoragem.

Outra coisa importante é a área de giro. A gente insiste em recomendar que se solte todo o escopo, amarra, da âncora, mas pode ser que um ancoradouro mais cheio, ou muito pequeno, se você soltar muita âncora, e o vento aumentar e girar, a corrente esticará e você pode acabar batendo em algum outro barco ou nas margens. Então, se liga no tamanho do escopo em relação ao local que você está ancorando. Parece óbvio, né, mas a gente já cansou de ver barco girando durante a noite e acertando outros barcos.

“Mas e se não tiver espaço suficiente para girar?” Ah, meu caro marujo, aí você vai prender a sua popa nas margens. É o que a gente chama de Shore Line, ou cabo de popa. Basicamente você vai escolher um lugar que a profundidade seja boa para deixar o escopo totalmente estivado, na tensão mesmo, e dar atrás até chegar em uma distância segura e suficiente para amarrar a popa do seu barco em algum ponto na costa, que pode ser uma árvore, pedra, doca, ou qq coisa firme o suficiente para impedir o giro e segurar o seu barco.

O procedimento é um pouco diferente porque nesse caso o escopo precisa ser exatamente a distância que você quer e você tem que garantir que a âncora está muito bem cravada no fundo. Tem que ser um fundeio de primeira linha! Para isso, a gente segue esses passos:

  1. Escolha o lugar para soltar a âncora.
  2. Antes de baixar-la, dê uma navegada pelo local. Fique de olho na corrente, maré, vento e profundidade. É nessa hora que você também pode pedir para alguém na proa conferir o tipo de fundo e, se for viável, até mesmo mergulhar para ver o que tem lá embaixo com certeza.
  3. Escolhido o lugar que a âncora deverá tocar o fundo, você vai soltar exatamente o tamanho de escopo que vc quer para aquela profundidade, ou até mesmo um pouco mais, assim: a âncora deve unhar em um fundo de areia que está a 15 metros de profundidade. Então, vc vai soltar 15-20m de corrente bem antes e começar a dar à atrás até sentir que a âncora unhou. O importante é que unhe na distância que você quer da margem.
  4. Mantendo o motor engatado à popa, e controlando o leme, envie alguém para a margem com uma corda longa o suficiente para amarrar sua popa.
  5. Amarre o cabo de popa em um ponto fixo na terra, e a outra ponta, obviamente, à popa do seu barco 🙂
  6. Pronto. Agora é só ajustar a tensão da amarra e também do cabo de popa, que podem ser até mesmo 2, um de cada bordo, para garantir mais estabilidade.

Nesse caso não é tã0 importante estar totalmente alinhado ao vento ou às ondulações. É claro que isso fará sua ancoragem muito mais confortável, mas o objetivo aqui é impedir que o barco gire e acerte alguma coisa. A gente usa muito isso quando estamos ancorando em lugares com muitos barcos. Mas se liga para que vc não acabe ficando no giro de algum outro barco e seja acertado.

E se isso acontecer e eu acabar ficando na rota de alguém? Ou pior: e se minha âncora começar a arrastar? Nesse caso, meu amigo do mar, só tem 1 solução:

Reset: Faça de Novo!

Pois é, não tem como consertar uma ancoragem mal feita ou que deu errado. Em alguns casos, é possível mergulhar e na mão mesmo, recolocar a âncora na posição e unha-la. Mas sinceramente, nada é mais seguro do que o procedimento correto de unhar a âncora usando o motor. Além disso, há uma porção de lugares que você vai ancorar com profundidades de 10+ metros. Dá para mergulhar? Dá, temos amigos por aqui que mergulham até 30 metros no free-diving, mas não é meu caso, então, eu vou no bom e velho Reset que, como o nome diz, é Re-Set: Colocar de Novo.

É chato, dá trabalho e até um pouco humilhante, RS!, mas todo mundo já passou por isso ou vai passar. Respire fundo, chame a tripulação e suspenda a amarra toda, escolha de novo o lugar, e baixe a âncora de novo. Não tem muito o que fazer que não seja Refazer, mesmo que seja 3 ou 4 vezes, não importa, você quer que sua ancoragem seja segura 100% das vezes.

Se depois você ainda estiver na dúvida se a âncora está unhada, se a amarra está direitinha e não agarrou numa pedra ou algo assim, o jeito é mergulhar mesmo e ver com os próprios olhos. Aliás, essa é sempre uma excelente desculpa para mergulhar e nadar um pouquinho!

Tudo Certo? Então, bom descanso!

Então você agora já entendo como ancorar. Não é mistério, mas é super importante porque muitas vezes, ou na maioria delas, é quando você, comandante, poderá de fato descansar e relaxar um pouco, mas sempre garantindo que alguém está acordado e de olho no que está acontecendo já que a norma internacional recomenda que sempre haja alguém qualificado de vigia durante uma ancoragem. O objetivo é poder reagir rapidamente caso a amarra falhe.

Ah! Como saber se está sua âncora arrastando? Fácil: pela posição do GPS, ou seu navegador (ECDIS) , usando um dos inúmeros aplicativos disponíveis para celular como o “Anchor Buddy”, “Anchor Watch” r outros tantos. Existe ainda a forma mais fácil e prática de todas: marque dois pontos em terra: um na sua popa, outro em um dos seus bordos, se estes pontos variarem muito em relação um ao outro, sua âncora está arrastando. Daí você já sabe: Reset nela!

E é isso! Boas navegadas, boa ancoragem, bom descanso e

Bons Ventos!

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