Segurança, Segurança e Segurança!


Alou marujos!
Estamos em terras além mar dando duro nos treinamentos para oferecer a melhor prática de vela do Rio de Janeiro! Então, revendo os assuntos que abordamos por aqui, lembramos que não temos nada escrito sobre Segurança no Mar. O que é quase um absurdo já que essa é uma das maiores preocupações quando se navega. Então, antes tarde do que nunca, lá vai nosso post sobre Segurança no Mar.
Obviamente que não vai ser nada daquele blá-blá-blá usual, monótono que só serve para fazer você dormir e quando estiver no perrengue levar a mão à cabeça e pensar; “Puts, por que não prestei atenção nisso…” Vamos abordar o assunto de uma forma diferente e que todo mundo gosta: com “causos” também conhecidos como “Conversa de Cais”, ou em bom português: Fofoca-Náutica. 🙂

 

Antes de Sair pro Mar
O melhor é fazer um check list de tudo que você vai precisar. Comece pela proa do barco e vá andando até o fim. Não tem erro: coletes (1 para cada tripulante), sinalizadores (vermelho, branco e fumaça – fumígeno laranja), extintor de incêndio (ABC – pó químico). Esses são os obrigatórios. Você também vai querer boias em forma de ferradura para jogar na água se alguém cair – “Homem ao Mar”!
Falando em cair… Dizem por aí que um comandante com vários anos de carreira estava navegando num iate novinho demonstrando para os novos donos as maravilhas do barcão que tinham acabado de comprar. Navegando a 15 nós, mar calmo, céu azul. Tudo beleza, barco aprovado. Mas faltava um sistema para mostrar: “Parada Emergencial dos Motores”. Ne, todo barco tem isso, mas os que tem são uma beleza! O piloto, orgulhoso, olhou para o patrão e disse: “Ah! E olha, se houver um problema, ainda podemos parar os motores só apertando esse botão aqui” e Vapu! Bem, ele não leu o manual e não sabia que a “Parada Emergencial” era na verdade uma reversão completa dos motores. A 15 nós de velocidade, os motores reverteram automaticamente com força total. Os donos do barco foram catapultados para fora do iate e sobrou para o comandante jogar as boias e fazer a retirada de todos da água. Sorte dele que o motor desligou automaticamente após a reversão e parada. A última coisa que você quer é um hélice girando com alguém na água perto do barco… (sim, ele foi demitido.)

Rádio VHF
Pode parecer exagero, mas o VHF é uma das melhores invenções da humanidade e o melhor amigo do bom marinheiro:
1. Bom, bonito e barato.
2. Você consegue falar com todo mundo no alcance mandando um sinal só. Todo mundo no alcance vai ouvir sua mensagem de uma só vez. Acredite, se você precisa de resgate, você vai querer que o máximo de pessoas estejam ouvindo você.
3. Pode chegar a distâncias enormes, basta ter uma antena alta e bem grande e uma potência boa. (se for um VHF de mão, lembre-se de usar a antena apontando para cima para conseguir o máximo de alcance)
4. É tão fácil de usar, basta apertar um botão e falar!
5. Tem sempre alguém na escuta, seja um marujo amigo, a marinha, um pescado ou mesmo um radio amador.
O que me lembra uma história 😉
Uma lancha saiu para pescar numa tarde de verão. Tudo lindo, maravilhoso, o comandante ancorou perto de umas ilhas e foi para a pesca. Sem contar com a maré que baixava (sempre considere a maré), o cabo da âncora foi dando mais linha, mais linha, mais linha até que numa certa hora o barco acertou as pedras próximas da ilha! Para piorar o comandante tentou arrancar com a lancha, o que só piorou a situação e agora estavam completamente encalhados. Como azar pouco é bobagem, uma tempestade de verão se aproximava. Com o casco avariado, fazendo muita água (a bomba de porão não funcionou), uma tempestade e a noite chegando, o comandante não pensou duas vezes: pegou o rádio e pediu socorro “Mayday”. O comandante seguiu o procedimento certinho:
“Mayday, Mayday, Mayday! Aqui é Lancha 1, Lancha 1, Lancha 1” pausa, solta o botão e segue o comunicado:
“Mayday! Lancha 1 próximo da Ilha X, fazendo muita água. Naufrágio eminente. Somos 3 passageiros a bordo, 2 adultos e 1 criança. Pedindo resgate. Câmbio”
No que a Guarda Costeira respondeu: “Mayday, Lancha 1, aqui é a Guarda Costeira. Recebemos pedidos. Repita posição.”
– Aqui é Lancha 1. Estamos numa pedra.
– Mayday Lancha 1. Aqui é Guarda Costeira, onde está o barco?
– Em cima da Pedra, p*rra!
Bem, dizem que foi verdade… Vai saber! 😉

Homem ao Mar
Umas das piores coisas que pode ocorrer é alguém cair na água quando se está navegando. Mas se acontecer, o que fazer? Bem, primeiro alguém, provavelmente que viu o tripulante cair, deve gritar “Homem ao Mar” e jamais – jamais mesmo – tirar o olho da vítima. O melhor mesmo é ficar apontando. Não desvie o olhar nem 1 segundo. Para nada. Nunca. Olhe e aponte não importa o que aconteça.
O comandante tem que agir rápido, mas com segurança, no procedimento: para o lado que o tripulante caiu, vire. Isso mesmo. Instintivamente, viraríamos para o lado oposto, mas no caso, como o barco tem hélices funcionando, você deve virar para o lado que o tripulante caiu. Isso vai garantir que o motor fique longe da vítima.
Essa virada não é uma guinada. Use um ângulo aproximado de 60 graus e logo depois vire para o lado oposto e siga de volta pelo caminho que você seguia até encontrar a vítima. É a forma mais rápida de fazer um retorno com segurança.
Se o tripulante que ficou de olho não perdeu a vítima de vista e continuou apontando, as chances de acha-lo são enormes. Se perdeu, seu próprio rastro de ondas na água vai te ajudar a voltar pelo caminho até a pessoa no mar.
Chegando, sempre se aproxime por sotavento. Sempre. Devagar e com cuidado para não atropelar a pessoa na água. Chegando próximo, ao alcance, coloque o motor em neutro, certifique-se que o hélice parou de girar e suba com a pessoa a bordo.
Você vai querer ter treinado antes isso, então, tire um dia para fazer o teste. É simples, prático e pode até ser divertido incluir toda a família na “brincadeira”.
Para o Homem ao Mar, não temos um “causo”. Infelizmente, são muitas histórias de grandes navegadores que perderam suas vidas sem conseguirem ser resgatados. Muitos mesmo. Velejadores super experientes, amadores, marujos profissionais… Então, treine e garanta – sempre – que a diversão vai ser segura.

Extintores, ferramentas, sinalizadores e coletes devem estar sempre vistoriados e à mão, prontos para uso.
Se houver crianças a bordo, coloque os coletes nelas. Lembre-se, o colete só salva a vida de quem usa.
Não beba bebidas alcoólicas.

Fique seguro no mar e divirta-se!

Ah!!! Existem coletes para os cachorros e gatos navegadores! 😉

dougie_2008_in_his_outwardhound_dog_life_jacket

compartilhe com outros marujos Facebook